Todos nós passamos pela experiência de ter medo de monstros quando éramos pequenos. Sendo por não comer a sopa ou porque simplesmente as sombras no nosso quarto não nos deixavam dormir descansados, todos passamos mais ou menos por essa experiência.
A questão que se coloca no entanto, é o que é que fazemos quando os monstros somos nós.
O que fazemos quando as pessoas nos olham de lado, quando acham que temos algum pacto com Satanás porque "eles ouvem música demoníaca" e "tão novinhos e já não há nada a fazer para os salvar".
Que fazemos nós perante tais desconfianças e acusações? Rimos. Rimos e achamos toda a situação completamente ridícula.
Não somos nós que devemos ser temidos ou julgados por ouvirmos o que ouvimos, por nos vestirmos como bem entendemos ou porque alguns de nós escolhem uma religião diferente dos demais, a igreja puniu milhares de inocentes durante centenas de anos só porque sim e poucos foram aqueles que ousaram pô-los em causa, portanto porque hão de nos condenar?
Nós que somos os mais honestos, nós que lidamos com os nosso demónios todos os dias, em vez de nos escondermos atrás de orações que não dão certezas de nada a não ser da hipocrisia e da lavagem cerebral que pode ser feita ao ser humano.
Nós que temos a capacidade de praticar o bem e o mal tal como todos os outros mas somos vistos como papões, como alguém a ser evitado na rua porque não nos limitamos a ser mais uma das ovelhas no rebanho.
Sim, sou metaleira e não acredito em Deus, é um facto, mas sinto-me bem por assim ser e um não influencia necessariamente o outro. Não é por ouvir metal que não acredito, isto não é um padrão e portanto não tenho que ser julgada por isso.
Julguem-se aqueles que são atrozes para com as outras pessoas e mesmo esses, julgue-se perante a lei dos homens e não a consciência dos mesmos.
Deixemos os papões para quem não come a sopa ou para os muitos que por detrás da máscara de bom samaritano, são mais demoníacos que todos os metaleiros juntos.
